quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Desculpe o transtorno, preciso falar sobre saúde mental







Estou escrevendo esse texto há bastante tempo.

Basicamente porque, primeiro, faltou coragem. Segundo, não fazia ideia de como começar e quais coisas deveria incluir e quais não seriam relevantes pra mais ninguém. Terceiro, tem o fato de que eu tenho a fama de ser muito extensa nos meus discursos.
Prometo, então, tentar ser o mais sucinta possível. Repito: Tentar.

Em 2016 eu fui diagnosticada como portadora do Transtorno de Ansiedade Generalizada. TAG, para os íntimos.

Não vou falar muito sobre o transtorno em si, primeiro porque a internet está aí pra isso, e segundo porque o transtorno se manifesta de maneira diferente pra cada um, apesar de ter alguns sintomas unânimes. Mas posso resumir dizendo que, pra mim, a preocupação com a coisa mais simplória me faz sofrer bastante e por um período de tempo considerado desnecessário para qualquer pessoa "normal". A ansiedade é constante, os medos são absurdos, a saúde é um fiasco em diversas áreas (gastrite, fibromialgia, entre outras coisas), e tudo isso é consequência desse distúrbio mental.

Agora, se você está se perguntando como eu descobri que isso existia ou como soube que eu tenho esse transtorno, é onde eu quero chegar.


Eu nem imaginava o que era TAG até uns três anos atrás, e não entendia muito bem como funcionava até uma amiga minha postar um texto explicando como o TAG afeta a vida dela. E foi aí que eu comecei a perceber que me identificava com muitos dos sintomas.

Como vocês que me acompanham aqui sabem, fiquei muito tempo sem publicar nada no blog, justamente porque estava tendo algumas crises de ansiedade. Eu tentava conciliar o trabalho, a vida doméstica, as questões pessoais e a saúde, mas tudo o que eu conseguia era alimentar ainda mais a ansiedade e no fim do dia ter mais atividades do que eu conseguia fazer.

Foi um período nebuloso.

Eu tinha crise de dores na coluna, não conseguia dormir direito, acordava muito cansada e passava o dia tensa, enjoada e inquieta. Foram meses fazendo muitos exames, indo e retornando a vários médicos, tomando muitos remédios, fazendo fisioterapia, acupuntura, enfim.
Foi muito difícil para mim, mas acredito que tenha sido ainda mais difícil para as pessoas mais próximas, pois elas não compreendiam o que estava acontecendo. Afinal, nem eu mesma compreendia, muito menos sabia lidar.

Até chegar naquele famoso Setembro Amarelo.

Começou a chover textos e artigos relacionados à saúde mental. Através de depoimentos de amigos, reportagens, links patrocinados, folhetos espalhados por aí, enfim. De todos os lados eu fui bombardeada com esse assunto. E foi ótimo.

Porque foi aí que eu criei coragem para procurar ajuda profissional.

No meio de algumas crises, com a ajuda de uma grande amiga que também sofre de alguns transtornos e que sempre conversava comigo, eu comecei a encarar o fato de que isso não era coisa da minha cabeça, e eu não estava louca.
Tive que passar por cima de muitos preconceitos - meus e alheios - para pegar o telefone e, enfim, marcar uma consulta com um psiquiatra.

Eu fiquei quase um mês aguardando a consulta. Um mês de pura ansiedade.
"Será que eu tenho algo grave? E se eu não tiver, o que, afinal, está acontecendo comigo e com o meu corpo? Será que eu vou ter que tomar remédio? Será que eu vou ficar entorpecida? Será que eu nunca mais serei a mesma pessoa? E se eu não conseguir explicar tudo para o doutor? E se ele me entender errado?" Essas foram só algumas das milhões de perguntas que passaram pela minha cabeça, até o dia em que eu fui ao médico.

Eu levei tudo anotado num papel, porque eu sabia que não conseguiria explicar tudo para o médico, eu estava muito nervosa. E mais ou menos depois de 40 minutos de consulta, um diagnóstico claro, direto, sem rodeios: "Você tem TAG".

Foi uma sensação de derrota. Ao mesmo tempo, um alívio imenso.
Uma derrota por ter ouvido que eu era "transtornada".
Um alívio porque eu finalmente tinha consciência do meu problema e, assim, poderia começar a procurar uma solução.
Claro que depois fui pedir uma segunda opinião médica, que bateu com a primeira e aí entrou o remédio. Santo remédio. Comecei a dormir melhor, meus pensamentos ficaram mais organizados e eu comecei a me sentir "eu" de novo. Mesmo assim, eu não sou agora uma pessoa melhor nem pior por finalmente descobrir que isso tudo que tem me perseguido há anos era um problema real e que precisava ser tratado. Só que eu estou consciente do que eu tenho e de como estou - até porque isso não pode definir quem eu sou - e isso me faz entender que, apesar das crises, apesar das fraquezas, apesar de um dia sem remédio, eu vou continuar por aqui e tentar ser o melhor que posso.

Não quero entrar nos méritos do assunto medicamentos, mas quero dizer pra você, que leu até aqui e se identificou um pouquinho com a minha história, não tenha vergonha de admitir que você precisa de ajuda.
Procure conversar com alguém de confiança e ouça muitas opiniões.
Leia, pesquise e se permita questionar sobre o estado da sua saúde mental. Isso vai afetar TUDO na sua vida, desde as coisas mais simples.
Procure também métodos alternativos de tratamento, talvez você não precise de um remédio logo de cara, talvez você precise fazer exercícios físicos, mudar sua alimentação ou criar algum outro hábito saudável.

Acima de tudo: CONVERSE. SE ABRA. SE ACEITE.
Não deixe que as coisas negativas que você vê ou ouve te coloquem pra baixo.
Pratique e procure por empatia. Se você não conhece ninguém que possa te ajudar, fala comigo, que eu prometo que vou te ouvir com muita atenção e carinho. Afinal, o que eu quero é que esse texto possa ajudar mais alguém, do mesmo jeito que o texto da minha amiga me ajudou. Porque coisa boa a gente repassa, e o amor a gente espalha!

p.s: Deus é mais. ♥

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